
O Rio Itaúnas brota aos pés da serra que separa capixabas e mineiros, pouco antes de chegar à Bahia. Passa por oito municípios que fomam sua bacia hidrográfica, sendo que atinge 34 km de extensão, e dentro desses alguns estão dentro do Parque Estadual de Itaúnas. Junto ao mar, ainda alimenta e ajuda na formação de um gigantesco manguezal, e várias regiões de alagados. Banho não tem melhor. O negrume da água é transparente. Caramelo só na cor, porque o frescor é cristalino. O fundo é de areia, nos beiradões da Vila. Há também grandes pedras pretas formadas pelo próprio rio, mas uma curiosidade; as pedras são formadas pelo acúmulo de areia e posicionadas no meio do canal, que dão nome ao rio.
Mas isso tudo é na vazante, que dura muito mais que as cheias. Em ciclos anuais irregulares o Itaúnas enche, emenda os meandros e sai à procura de barrancos, distantes muitos metros de suas margens. O resultado é um mar de água doce tão volumoso, que faz brotar lagunas do outro lado das dunas, coladinhas ao oceano.
Tanta água se resume em fartura de vida. Nas enormes ilhas flutuantes chamadas por aqui de balseiros, árvores adultas de embaúba e corticeiras descem o rio vivas, misturadas a aningas e aguapés. E vêm arrastando camarões, peixes e lontras que alimentam-se entre suas raízes submersas. Robalos, tilápias e tucunarés aproveitam o alagado cheio para desovar. Os alevinos convidam garças, socós e patos selvagens de todo tipo para almoço e jantar enquanto, nas barrancas, as capivaras pastam o capim verde da mata ciliar.
O Itaúnas se refaz renovando a vida. E dá contentamento ao visitante que desfruta com respeito de seu toque envolvente, de seu saboroso pescado e das paisagens deslumbrantes que o rio exculpe com ousadia a cada pôr-do-sol. Dica: não pule da ponte no rio. Todos os anos são registrados vários casos de acidentes, algumsa vezes graves, com pessoas que insistem em pular da ponte.
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